O plano B de um casamento ao ar livre precisa de três coisas definidas com antecedência: um lugar coberto onde caibam todos os convidados, um horário limite para decidir e uma pessoa que tome a decisão no lugar dos noivos. Sem esses três itens, o que existe é só a esperança de que o tempo ajude.
A minha cerimônia foi no gramado ao lado do salão, no fim da tarde. Choveu fraco por uns dez minutos às três da tarde, parou, e a gente casou do lado de fora com as cadeiras secas a pano. Só deu certo porque a decisão já estava combinada desde a véspera, e ninguém precisou me perguntar nada enquanto eu me arrumava.
O calor pede o mesmo cuidado que a chuva e costuma ser esquecido. Convidado sentado de frente para o sol às quatro da tarde lembra disso por muito mais tempo do que lembra das flores.
O que o local precisa ter para o plano B existir
Antes de assinar com o espaço, vale visitar o lugar pensando no pior dia. Estas são as perguntas que eu fiz, mais uma que esqueci:
- O espaço coberto comporta todos os convidados sentados, ou só em pé?
- Dá para montar a cerimônia lá dentro sem desmontar as mesas da festa?
- Quanto tempo a equipe leva para trocar as cadeiras de lugar?
- O caminho entre o estacionamento e a área coberta tem piso firme ou é grama?
- Existe tomada perto da área externa para o som e para um ventilador?
- Quem do local fica responsável no dia e até que horas atende o telefone?
A que eu esqueci foi a do caminho. O acesso ao gramado era de terra batida, e com dez minutos de chuva já tinha barro na entrada. Resolvemos com duas passadeiras de borracha que o próprio espaço tinha guardadas, mas eu só soube que elas existiam naquele dia.
Se o local não tem nenhuma área coberta, a tenda deixa de ser opcional e entra na conta desde o começo. Peça o orçamento da tenda junto com o do espaço e leia o que o contrato diz sobre montagem e cancelamento. As cláusulas que eu olharia de novo estão no texto sobre erros ao contratar fornecedores de casamento.
Horário limite: quando decidir e quem decide
A decisão de mudar a cerimônia de lugar tem hora para ser tomada, e essa hora depende de quanto tempo a troca leva. No nosso caso, a equipe pediu uma hora e meia para levar as 50 cadeiras e o arco para dentro. A cerimônia era às 16h30, então o limite ficou em 14h, com folga.
Quem decidiu foi a amiga que cuidou do dia para a gente. O combinado era simples: às 14h ela olharia o céu e a previsão no celular, conversaria com o responsável do espaço e avisaria os fornecedores. Eu só seria informada do resultado.
Combine também o critério, para a pessoa não carregar a escolha sozinha. O nosso era este: chuva caindo às 14h ou gramado encharcado, cerimônia dentro. Céu fechado sem chuva, cerimônia fora, com as cadeiras cobertas até a última meia hora.
Plano B por cenário
Cada tipo de tempo ruim pede uma resposta diferente. A tabela abaixo é a que eu montei na planilha e entreguei impressa ao espaço e à minha amiga.
| Cenário | O que fazer | O que deixar pronto antes |
|---|---|---|
| Chuva forte no horário limite | Cerimônia no salão ou na área coberta | Desenho de onde ficam as cadeiras e o arco lá dentro |
| Garoa que vai e volta | Manter fora, com as cadeiras cobertas até perto da hora | Lonas ou plásticos, panos secos e alguém para secar |
| Chão molhado e céu limpo | Manter fora e proteger o caminho | Passadeira, tapete ou tábuas na entrada |
| Sol forte e pouca sombra | Atrasar o início ou girar as cadeiras | Margem de atraso combinada com celebrante e música |
| Vento forte | Tirar arranjos altos e papéis soltos | Pesos para as toalhas e velas em vidro fechado |
| Noite fria depois de tarde quente | Levar a festa para dentro mais cedo | Aviso no convite para trazer agasalho |
Calor: sombra, água e cerimônia curta
Calor se resolve antes, na escolha do horário e da posição das cadeiras. Visite o local na hora exata em que a cerimônia vai acontecer e veja para onde o sol aponta. Quando fui fotografar o espaço às 16h30, percebi que metade das cadeiras ficaria de frente para o sol. Viramos o arco para o outro lado do gramado, e os convidados passaram a ter o sol nas costas.
Outras medidas que custam pouco:
- Água gelada na chegada, servida antes de a cerimônia começar.
- Leques de papel nas cadeiras. Fizemos 50 em casa, com papel mais grosso e palito de sorvete.
- Lugares na sombra reservados para os avós e para quem vem com criança de colo.
- Cerimônia curta. A nossa durou uns 25 minutos, e eu não esticaria.
- Ventilador de coluna perto das primeiras fileiras, se houver tomada.
Flor também sente o sol. Arranjo montado cedo e deixado no gramado chega murcho à cerimônia, por isso combine com quem cuida da decoração de pôr as flores no lugar por último. No texto sobre decoração com flores da estação conto como escolhi as nossas.
Parte desses cuidados eu já conhecia do pedido, que quase aconteceu numa praça. Os detalhes estão em pedido de casamento ao ar livre: clima, privacidade e horário.
Chuva: o que muda em cada parte da festa
Levar a cerimônia para dentro mexe em mais coisas do que nas cadeiras.
Som e música
Caixa de som e instrumento não podem tomar chuva, e quem toca precisa conhecer os dois lugares possíveis. Peça que a equipe de som veja a área coberta, nem que seja por foto, e diga onde ficaria e de qual tomada precisa.
Fotos
Converse com quem fotografa sobre um canto coberto com luz boa para os retratos de família. No nosso espaço era a varanda do salão, que tinha claridade até o começo da noite.
Decoração
Escolha peças que mudam de lugar em minutos: arco desmontável, arranjos em vasos, tapete que enrola. Estrutura pesada presa no gramado obriga a decidir muito mais cedo, e o horário limite recua junto.
Convidados
Guarda-chuvas grandes na entrada ajudam no trajeto do carro até a área coberta. Pedimos seis emprestados a parentes, e eles ficaram num cesto ao lado da porta.
Como avisar os convidados sem assustar
Uma linha no convite resolve. A nossa dizia: “A cerimônia será ao ar livre, no gramado”. Com essa informação cada um escolhe o sapato e a roupa. Salto fino afunda na grama, e saber disso antes poupa o constrangimento.
Para festa que entra pela noite, acrescente que a temperatura cai e que vale levar um casaco.
No dia, se a cerimônia mudar de lugar, ninguém precisa mandar mensagem a todos. Uma pessoa na entrada indicando o caminho basta, e uma placa simples ajuda. Mensagem em grupo de última hora gera mais dúvida que resposta. Com lista pequena isso fica ainda mais fácil, como contei no texto sobre o mini wedding ao fim da tarde.
Checklist do plano B, da contratação à véspera
- Na visita ao local: confirmar a área coberta para todos sentados e o tempo que a troca leva.
- No contrato: deixar escrito quem faz a mudança e se existe custo extra.
- Dois meses antes: visitar no horário da cerimônia e marcar a posição do sol.
- Um mês antes: definir o horário limite, o critério e a pessoa que decide.
- Na semana: entregar a tabela de cenários ao espaço, ao som e à fotografia.
- Na véspera: separar lonas, panos, guarda-chuvas, leques e pesos para as toalhas.
- No dia: a pessoa responsável decide no horário combinado e avisa os fornecedores.
Eu faria uma coisa diferente: testaria a montagem de dentro. A gente tinha o desenho no papel, mas ninguém tinha posto as 50 cadeiras no salão com as mesas já montadas. Se a chuva tivesse continuado, teríamos descoberto na hora que faltava corredor para a entrada.
Perguntas frequentes
Tenda é obrigatória em casamento ao ar livre?
Só quando o local não tem área coberta para todos. Havendo salão, varanda ou galpão que comporte os convidados sentados, a tenda vira escolha do casal.
Qual o melhor horário no verão?
Fim da tarde, com a cerimônia terminando perto do pôr do sol. Antes de fechar o horário, visite o local nesse mesmo período e veja onde há sombra.
Como avisar os convidados sobre o local aberto?
No convite, em uma linha, dizendo que a cerimônia é ao ar livre e em que tipo de piso. Quem lê entende o recado sobre sapato e agasalho.
Quando decidir se a cerimônia vai para dentro?
No horário limite combinado, calculado pelo tempo que a equipe precisa para a troca, mais uma folga. Decidir em cima da hora deixa os convidados esperando em pé.
Quem deve tomar a decisão no dia?
Uma pessoa de confiança que não seja um dos noivos, com o critério combinado antes e o contato dos fornecedores à mão.
O próximo passo é ligar para o local e perguntar quanto tempo a equipe leva para mudar a cerimônia de lugar. Com essa resposta dá para definir o horário limite, e o resto do checklist sai dele.
